BRASPEN News: Diga Não à Desnutrição KIDS






Elaborado por: Daniela França Gomes

Médica Nutróloga e Pediatra; Presidente do Comitê da Criança e do Adolescente da BRASPEN



Diga não à Desnutrição Kids! Um tema sempre relevante


O combate à desnutrição hospitalar pediátrica é uma medida que deve ser ativa e diária pois sua prevalência permanece alta apesar de todos os avanços na assistência em saúde. No Brasil e, no mundo, as taxas de desnutrição hospitalar, por falta de estudos adequados, são muito variáveis, de 2,4 a 39,7%, sendo as prevalências mais elevadas em pacientes admitidos em unidades de terapia intensiva (MCCARTHY et al., 2019).


A realização sistemática de triagem nutricional na admissão, por qualquer membro da equipe, com ferramenta simples como o Strong Kids, possibilita identificação dos pacientes de risco e intervenção precoce (HULST,2010).


Entender causas e processo de evolução da desnutrição colabora na condução. O reconhecimento da inflamação como processo central da desnutrição é de extrema importância. A definição de desnutrição pela Sociedade Americana de Nutrição Parenteral e Enteral (ASPEN) reforça isto ao considerar a antropometria, etiologia, cronicidade, estado inflamatório e desbalanço de nutrientes, e permite analisar de forma mais ampla a condição primária devido ao jejum ou baixa ingestão, ou secundária a uma doença de base (METHA, 2013).


Neste ponto, monitorar jejum e atingimento de metas nutricionais são fundamentais para minimizar a utilização das reservas corporais, ao mesmo tempo que ocorre processo de hipercatabolismo e balanço nitrogenado negativo (DELGADO et al., 2008).


A campanha Diga não a desnutrição Kids, da Sociedade Brasileira de Nutrição Parenteral e Enteral (Braspen), utilizando o método mnemônico das palavras desnutrição direciona a condução da criança desnutrida desde a triagem e diagnóstico até manejo e tratamento (GOMES, 2019). Com destaque a orientação da reposição de micronutrientes, essencial para minimizar o estresse oxidativo associado ao processo inflamatório em crianças com reservas nutricionais depletadas (GOMES, 2019; METHA, 2013).


A adequada oferta calórico-proteica, com atenção ao risco de síndrome de realimentação, e reposição de vitaminas e minerais podem minimizar as bem documentadas complicações do paciente desnutrido como aumento de tempo de hospitalização, ventilação mecânica prolongada, déficit de cicatrização, aumento dos custos hospitalares e maior morbimortalidade (HECHT, 2015; JOOSTEN, 2011).


A presença de uma equipe multiprofissional de terapia nutricional atuante e treinando todos os profissionais da assistência é essencial na modificação do prognostico da criança desnutrida.


Referência bibliográfica


DELGADO, A. F. et al. Hospital malnutrition and inflammatory response in critically ill children and adolescents admitted to a tertiary intensive care unit. Clinics, v. 63, n. 3, p. 357–362, 2008


GOMES, D. F. et al. Campanha “Diga não à desnutrição Kids”: 11 passos importantes para combater a desnutrição hospitalar. Braspen Journal, v. 34, n. 1, p. 3–23, 2019.


HECHT, C. et al. Disease associated malnutrition correlates with length of hospital stay in children. Clinical Nutrition, v. 34, n. 1, p. 53–59, 2015.


HULST, JM, et al. Dutch national survey to test the STRONGkids nutritional risk screening tool in hospitalized children. Clin Nutr. 2010;29(1):106–11. 2


JOOSTEN, K. F. M.; HULST, J. M. Malnutrition in pediatric hospital patients: Current issues. Nutrition, v. 27, n. 2, p. 133–137, 2011.


MCCARTHY, A. et al. Prevalence of malnutrition in pediatric hospitals in developed and in-transition countries: The impact of hospital practices. Nutrients, v. 11, n. 2, p. 236, 2019.


MEHTA NM, et al. Defining Pediatric Malnutrition: A Paradigm Shift Toward Etiology-Related Definitions. Journal of Parenteral and Enteral Nutrition, 2013;37(4):460-481.


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